"Você é livre", foi o que ele disse. E emendou com um desastroso " não dou alta pra nenhum dos meus pacientes, terapia é questão de escolha".
Escolhi, mas ainda preciso criar forças para manter minha escolha.
Termino a terapia como quem termina um namoro. Descobri agora que foi apenas isso, um suscedâneo para uma relação de verdade, uma rota de fuga pra que eu não tivesse que encarar minha própria impotência diante dos homens.
Amor? Nunca foi isso,mas apenas a habitual dependência, minha muleta, meu espelho para não encarar a Medusa que mora dentro de mim.
Agora meus sonhos ficaram tão claros... mas ele não percebeu. Aí é que está o problema, ele era pago pra entender.
Não podemos conversar sobre isso. Há tanta mágoa, tantas incoerências, tanta decepção, que minhas críticas seriam confundidas com agressão. Pode parecer agressivo,mas não é! É apenas minha vida, meus valores, meus sentimentos. É descobrir que nos momentos em que mais precisei de ajuda profissional eu tive um amigo. Um mau amigo.
Amigos eu tenho aos montes, e jamais pagaria pela amizade de qulquer um deles.
É preciso coragem. E essa não é uma das minhas qualidades. Mês passado eu tomei a mesma decisão... não cumpri.
Mas agora não dá mais. Coragem!
Será que existe algum bom psicólogo no mundo? Ou o problema seria da própria psicologia? Não posso avaliar. Em um ano e meio de terapia revi muito de minhas questões profissionais. Do pouco que conheço da teoria, posso afirmar que a prática não foi condizente. Mas o resultado seria diferente se houvesse maior rigor na análise?